Manual de operação · versão 1.0

Como usar
o ZORMA

Do arquivo bruto ao laudo assinado, em oito passos.

Este manual não exige nenhum conhecimento de estatística. Cada número que a ferramenta devolve está explicado aqui em linguagem comum, com a pergunta que ele responde e a decisão que ele permite tomar. Se você sabe montar uma planilha, sabe operar o ZORMA.

01

Para que serve

Você contratou um fornecedor de antifraude. Ele te entrega, para cada transação, uma nota de risco — um score. Ele te disse que essa nota funciona.

O ZORMA verifica se funciona mesmo. Você entrega a ela o seu histórico: transações que já tiveram desfecho, o score que o fornecedor deu na hora, e o que aconteceu depois. Ela devolve um laudo dizendo se aquele score separa fraude de compra legítima, o quanto ele acrescenta sobre coisas que você já sabe de graça, e quanto dinheiro ele economiza por mês.

O que a torna diferente

Antes de julgar o seu score, o ZORMA julga a si mesmo. Ela cria scores artificiais cuja resposta certa já é conhecida por cálculo, e verifica se consegue acertá-los na sua amostra. Se ele erra o alvo conhecido, ele não emite laudo — porque um número produzido por um instrumento desregulado não vale nada, mesmo que pareça bom.

Regra da casa

Um Laudo não emitido não é defeito. É a ferramenta cumprindo a única promessa que faz: não afirmar o que não pode sustentar.

Quando não usar

02

Antes de começar

Reúna quatro informações, uma linha por transação:

O queOnde costuma estarObrigatório
Score do fornecedorRetorno da API antifraude, gravado no momento da comprasim
DesfechoBase de chargeback, contestação ou fraude confirmadasim
Valor da transaçãoPedido / faturasim
Cliente ou contaCPF, e-mail, ID de conta — pode ser anonimizadorecomendado
Três exigências que não são negociáveis

1. O score tem que ser o da hora da compra. Se alguém recalculou depois, sabendo o desfecho, o resultado será falsamente ótimo. O ZORMA detecta a maior parte desses casos e acusa vazamento, mas não todos.

2. Só transações com janela de contestação vencida. Chargeback demora de 60 a 120 dias. Se você incluir o mês passado, fraudes ainda não contestadas entram como legítimas e o score parece pior do que é.

3. Não use só os casos que passaram por revisão manual. Este é o erro mais grave e o mais comum. Se você só tem desfecho para o que foi revisado, e a revisão foi escolhida pelo próprio score, a amostra está enviesada de um jeito que nenhuma estatística conserta. Use um recorte em que o desfecho aparece independentemente do score.

Quantidade mínima

A Bancada exige 300 transações e 25 fraudes confirmadas. Repare que o que manda é o número de fraudes, não o total: com 50 mil transações e 12 fraudes, ela recusa. A fraude é o evento raro e é ele que governa a precisão da medida.

Na prática, com fraude a 1% você precisa de umas 3.000 transações para chegar às 25 fraudes — e de umas 10.000 para o resultado ficar confortável.

03

Montando a planilha

Exporte do Excel ou do Google Sheets como CSV. O arquivo deve ter uma linha de cabeçalho e uma linha por transação:

id;score;desfecho;valor;cliente
TX-100234;812;1;1.299,00;C-4471
TX-100235;103;0;89,90;C-1120
TX-100236;540;0;350,00;C-4471
TX-100237;779;1;2.480,50;C-9007

O que cada coluna aceita

ColunaFormato aceito
scoreQualquer escala numérica — 0 a 1, 0 a 100, 0 a 1000, não importa. Só precisa ser consistente, e maior tem que significar mais risco. Se no seu fornecedor maior significa mais seguro, inverta antes (por exemplo, 1000 − score).
desfecho1 ou 0. Também aceita sim/não, fraude/legítima, true/false, s/n. Fraude é sempre o 1.
valorReais. Aceita 1299.00 e 1.299,00. Cifrão e espaços são ignorados.
clienteQualquer identificador de texto. Pode ser um código anonimizado — o ZORMA só precisa saber quais linhas pertencem à mesma pessoa.
Por que a coluna de cliente importa

Um mesmo cliente costuma aparecer várias vezes. Se o ZORMA não souber disso, ele pode acabar treinando com as compras de janeiro dele e testando com as de março — e vai parecer que acertou, quando na verdade já conhecia a pessoa. Com a coluna preenchida, cada cliente fica inteiro de um lado só, e o resultado é honesto.

Sem a coluna, a ferramenta funciona, mas a margem de erro sai otimista. O laudo registra isso.

Colunas extras não atrapalham — você escolhe na tela qual é qual. O ZORMA tenta adivinhar pelos nomes e você confere.

04

Passo a passo

1
Experimente com o simulador primeiro

Em Origem, deixe Simulador. Escolha o cenário Fornecedor forte e clique em Carregar amostra e depois em Aferir. Você vê o laudo sendo emitido.

Depois repita com Fornecedor que só reflete o valor da compra. O score parece bom, e mesmo assim o ZORMA nega o laudo. Entender por que ela nega nesse caso é entender a ferramenta inteira.

2
Carregue o seu arquivo

Troque a origem para Arquivo CSV meu e selecione o arquivo. Aparece o mapeamento de colunas já preenchido por palpite. Confira os quatro campos.

Clique em Carregar amostra. Você vê quatro medidores: transações, fraudes confirmadas, taxa de fraude e exposição total. Se algum estiver em vermelho, resolva antes de seguir.

3
Preencha os custos

Três números da sua operação. Não invente — busque com quem opera.

  • Custo de revisar 1 caso. Salário e encargos do analista dividido pelos casos que ele processa. Em operação brasileira típica fica entre R$ 4 e R$ 15.
  • Eficácia da revisão. De cada 100 fraudes que chegam à mesa do analista, quantas ele barra? Ninguém acerta 100%. Entre 80% e 92% é realista. Chutar alto infla a economia projetada e o laudo vai declarar o seu chute como premissa.
  • Transações por mês. Serve para projetar o resultado da amostra para o mês inteiro.
4
Deixe o protocolo como está

Na primeira vez, não mexa. Rodada fica em e Papel em Exploração.

Se você rodar, não gostar do resultado, mudar alguma coisa e rodar de novo, aí sim mude para . Isso fica registrado no laudo. A partir da 4ª rodada na mesma amostra o laudo é negado automaticamente — porque quem ajusta até passar sempre acaba passando, e o resultado deixa de significar alguma coisa.

5
Clique em Aferir

Leva de 5 a 60 segundos conforme o tamanho da amostra. O painel vai narrando cada etapa. Tudo acontece no seu aparelho — pode fechar a internet que continua funcionando.

6
Leia de cima para baixo

A seção 05 é sobre o ZORMA. A 06 é sobre o seu score. A 07 é sobre dinheiro. Leia nessa ordem — se a 05 reprovou, o que está na 06 e na 07 é diagnóstico, não conclusão.

7
Baixe o laudo

Baixar laudo técnico (.md) gera um documento completo com protocolo, método, todos os números, as premissas que você declarou e os limites da conclusão. É um arquivo de texto — abre em qualquer editor, cola em qualquer lugar.

O .json traz os números crus, para quem quiser reprocessar.

05

Lendo o resultado

Separação — o número principal

Aparece como AUROC, entre 0,50 e 1,00. Leia assim:

Pegue ao acaso uma fraude e uma compra legítima. Com que frequência o score deu nota maior para a fraude?

É isso, literalmente. 0,50 é cara ou coroa: o score não sabe de nada. 0,75 acerta três em quatro. 0,90 acerta nove em dez. 1,00 seria perfeito e não existe na vida real — se aparecer, desconfie de vazamento.

Referência prática para score antifraude: abaixo de 0,70 é fraco, de 0,70 a 0,80 é útil como sinal auxiliar, acima de 0,85 é bom.

O intervalo entre colchetes

Ao lado da separação aparece algo como [0,842, 0,916]. Isso é a margem de erro.

Se você medisse de novo com outro grupo de clientes, o número sairia um pouco diferente. O intervalo é a faixa onde o valor verdadeiro provavelmente está. Um intervalo largo significa que você não tem dado suficiente para afirmar muita coisa — e é por isso que o ZORMA às vezes recusa mesmo com um número aparentemente alto.

O valor-p da permutação

Se eu embaralhasse os rótulos de fraude ao acaso, com que frequência apareceria uma separação tão boa quanto essa por pura sorte?

A Bancada faz esse embaralhamento 250 vezes, de verdade. Se a separação do seu score cabe dentro do que a sorte produz, não há sinal a discutir. Abaixo de 0,05 há sinal real. Acima disso, não.

Ganho sobre o trivial

Este é o teste que quase todo fornecedor reprova, e é o mais importante do laudo.

A Bancada monta um previsor bobo, de graça, usando só o que você já tem: o valor da compra e quantas vezes aquele cliente aparece. Depois acrescenta o score do fornecedor e mede o quanto ele melhorou.

A pergunta não é se o score é melhor que nada. É se ele é melhor que a regra que você poderia escrever em duas linhas sem pagar ninguém. O mínimo exigido é +0,03.

O caso que mais aparece na prática

Score com separação de 0,70 — parece razoável. Mas o valor da compra sozinho já dá 0,70. Somar o score não muda nada. Conclusão: você está pagando por uma informação que já tinha. Esse é o cenário Fornecedor que só reflete o valor da compra no simulador, e vale a pena rodar para ver como aparece.

Estabilidade por faixa de valor

A Bancada divide a amostra em quatro faixas de ticket e mede cada uma separadamente. Um score que separa bem nas compras de R$ 50 e é cego nas de R$ 3.000 tem um número global bonito e é inútil — porque o prejuízo mora nas compras caras.

A diferença entre a melhor e a pior faixa não pode passar de 0,10.

06

Os seis desfechos

O carimbo no alto da seção 06 traz uma destas frases. Cada uma tem um dono e uma ação diferente:

CarimboO que aconteceuO que fazer
Bancada aferida Tudo passou. O laudo vale. Ler o resultado e a conta de dinheiro. Usar na decisão.
Amostra insuficiente Menos de 300 casos ou menos de 25 fraudes. Buscar mais histórico. Não há ajuste de método que compense falta de evento.
Bancada sem poder Passou no mínimo, mas a margem de erro ficou larga demais para separar um score bom de um ruim. Também é falta de dado. Ampliar a amostra. Rodar de novo na mesma não muda nada.
Bancada descalibrada Apontada para um alvo conhecido, ela errou a direção. Conferir a coluna de cliente — agrupamento inconsistente é a causa mais comum. Não usar nenhum número desta rodada.
Vazamento detectado Com rótulos embaralhados o score ainda separou. Não deveria separar nada. Verificar se o score foi mesmo gravado no momento da compra e não recalculado depois com o desfecho na mão.
Sem sinal acima do acaso A separação cabe dentro do que rótulos aleatórios produzem. Achado sobre o fornecedor, não sobre a ferramenta. Levar o valor-p à renegociação.
Sem ganho sobre o trivial O score funciona, mas não acrescenta nada ao que você já tinha de graça. Também é achado sobre o fornecedor. É o argumento mais forte que existe numa renovação de contrato.
Desempenho instável Separa bem em algumas faixas de valor e mal em outras. Um número único não representa este score. Exigir desempenho por faixa, ou operar com corte diferente por faixa.
Quem é o dono do problema

Os três primeiros e o descalibrada são sobre a sua amostra. O vazamento é sobre a sua base. Os três últimos são sobre o seu fornecedor — e nesses casos o ZORMA está funcionando perfeitamente: ela nega o laudo porque o score não sustenta conclusão, e isso é o achado.

07

A conta de dinheiro

A seção 07 responde à pergunta que decide contrato: quanto isso vale por mês?

Como ela pensa

Existem três estratégias possíveis, e o ZORMA calcula o custo das três:

Ela testa todos os cortes possíveis, acha o mais barato, e mostra quanto a triagem economiza contra a melhor das duas alternativas simples. Se a triagem não ganhar de nenhuma das duas, o número sai negativo — e isso também é uma resposta.

O que olhar na tabela

LinhaComo usar
Ponto de corteO número que você configura no seu sistema. Acima dele, revisa.
Fila de revisãoQuantos casos por mês vão para o analista. Confira se a sua equipe dá conta — se não der, o corte ótimo não é aplicável e vale refazer com o volume que ela suporta.
Fraudes na filaQuanto da fraude o corte captura. O resto passa.
Perda residualO prejuízo que sobra depois de tudo. É o número que ninguém gosta de ver e todo mundo precisa ver.
Cuidado com esta seção

A conta é aritmeticamente correta mesmo quando o laudo é negado. Um score sem sinal nenhum ainda produz um número de economia com muitos zeros — no simulador, o cenário Fornecedor sem sinal real mostra mais de R$ 100 mil por mês, e não vale nada.

Só use o número da seção 07 se a seção 06 trouxer o carimbo verde. É exatamente esse tipo de número solto que um slide de fornecedor te mostra.

A projeção é linear

A Bancada mede na amostra e multiplica para o volume mensal. Isso assume que o mês se parece com a amostra. Se a sua amostra é de um período atípico — Black Friday, promoção grande, ataque concentrado — a projeção herda a distorção.

08

Erros que invalidam tudo

Em ordem de frequência com que aparecem:

#ErroConsequência
1Usar só transações que passaram por revisão manualViés de seleção. O ZORMA não detecta e o laudo sai válido e errado. É o erro mais perigoso da lista.
2Score recalculado depois do desfechoVazamento. Normalmente o ZORMA acusa, mas nem sempre.
3Incluir transações recentes, ainda sem janela de contestação vencidaFraudes contam como legítimas. Subestima o fornecedor.
4Score invertido — maior significa mais seguroSeparação abaixo de 0,50. Se aparecer algo como 0,25, é este o motivo.
5Não preencher a coluna de clienteMargem de erro otimista. Funciona, mas o laudo registra a ressalva.
6Chutar a eficácia da revisão para cimaEconomia projetada inflada. Fica declarado como premissa sua no laudo.
7Rodar várias vezes ajustando até passarA partir da 4ª rodada o laudo é negado automaticamente.
09

Perguntas frequentes

Meus dados vão para algum servidor?

Não. Tudo roda no navegador. Você pode desconectar da internet depois de abrir a página e a ferramenta continua funcionando — é a forma mais simples de conferir. Quem quiser evidência técnica pode abrir a aba de rede do navegador e observar que nenhuma requisição sai.

Funciona no celular?

Funciona, mas amostras grandes ficam lentas. Para arquivos acima de 20 mil linhas, prefira computador.

Serve para outra coisa além de antifraude?

Serve para qualquer score de risco com desfecho conhecido: análise de crédito, evasão, inadimplência, priorização de cobrança. Os nomes na tela falam de fraude, mas a matemática não sabe do que se trata. Só troque a leitura de "valor da transação" pelo que fizer sentido no seu caso.

Posso comparar dois fornecedores?

Rode uma vez para cada, com a mesma amostra e as mesmas premissas de custo. Compare os laudos. Marque a segunda rodada como apenas se você mudou o método entre elas — trocar de fornecedor mantendo tudo igual não gasta rodada.

A separação deu 0,68. Devo cancelar o contrato?

O laudo não responde isso sozinho. Um score de 0,68 que acrescenta +0,15 sobre o trivial e economiza R$ 200 mil por mês vale a pena. Um de 0,85 que não acrescenta nada, não. Leia sempre o ganho sobre o trivial junto com a conta de dinheiro.

O laudo é aceito por auditoria ou regulador?

Ele documenta método, premissas e limites de forma verificável, o que é mais do que a maioria dos materiais de fornecedor oferece. Mas não é certificação de nenhum órgão e não deve ser apresentado como tal.

Por que a ferramenta se recusa a concluir tantas vezes?

Porque a maior parte das amostras reais não sustenta conclusão, e as ferramentas que concluem mesmo assim estão errando em silêncio. Cada recusa vem com o motivo e a ação — nenhuma delas te deixa sem saber o próximo passo.

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Glossário

TermoEm linguagem comum
AUROC / separaçãoCom que frequência o score dá nota maior para a fraude do que para a compra legítima, quando você sorteia uma de cada. 0,50 é sorte, 1,00 é perfeito.
Intervalo de confiançaA faixa onde o número verdadeiro provavelmente está. Quanto mais estreita, mais dado você tem.
Valor-pA chance de o resultado ter saído por sorte. Abaixo de 0,05, não foi sorte.
PermutaçãoEmbaralhar os rótulos de propósito para ver o que a sorte pura produz. Serve de régua.
Sinais triviaisO que você já sabe de graça: o valor da compra e quantas vezes o cliente aparece.
Ganho sobre o trivialO quanto o score pago melhora o previsor de graça. Se for pouco, você está pagando por nada.
VazamentoQuando informação do futuro entrou no score sem querer. Faz tudo parecer ótimo e nada ser verdade.
Controle positivoApontar o instrumento para algo cuja resposta já se conhece, para ver se ele acerta.
PoderSe a amostra é grande o bastante para a medida decidir alguma coisa.
Ponto de corteO valor de score a partir do qual você manda revisar.
Eficácia da revisãoDe cada 100 fraudes que chegam ao analista, quantas ele barra.