Do arquivo bruto ao laudo assinado, em oito passos.
Este manual não exige nenhum conhecimento de estatística. Cada número que a ferramenta devolve está explicado aqui em linguagem comum, com a pergunta que ele responde e a decisão que ele permite tomar. Se você sabe montar uma planilha, sabe operar o ZORMA.
Você contratou um fornecedor de antifraude. Ele te entrega, para cada transação, uma nota de risco — um score. Ele te disse que essa nota funciona.
O ZORMA verifica se funciona mesmo. Você entrega a ela o seu histórico: transações que já tiveram desfecho, o score que o fornecedor deu na hora, e o que aconteceu depois. Ela devolve um laudo dizendo se aquele score separa fraude de compra legítima, o quanto ele acrescenta sobre coisas que você já sabe de graça, e quanto dinheiro ele economiza por mês.
Antes de julgar o seu score, o ZORMA julga a si mesmo. Ela cria scores artificiais cuja resposta certa já é conhecida por cálculo, e verifica se consegue acertá-los na sua amostra. Se ele erra o alvo conhecido, ele não emite laudo — porque um número produzido por um instrumento desregulado não vale nada, mesmo que pareça bom.
Um Laudo não emitido não é defeito. É a ferramenta cumprindo a única promessa que faz: não afirmar o que não pode sustentar.
Reúna quatro informações, uma linha por transação:
| O que | Onde costuma estar | Obrigatório |
|---|---|---|
| Score do fornecedor | Retorno da API antifraude, gravado no momento da compra | sim |
| Desfecho | Base de chargeback, contestação ou fraude confirmada | sim |
| Valor da transação | Pedido / fatura | sim |
| Cliente ou conta | CPF, e-mail, ID de conta — pode ser anonimizado | recomendado |
1. O score tem que ser o da hora da compra. Se alguém recalculou depois, sabendo o desfecho, o resultado será falsamente ótimo. O ZORMA detecta a maior parte desses casos e acusa vazamento, mas não todos.
2. Só transações com janela de contestação vencida. Chargeback demora de 60 a 120 dias. Se você incluir o mês passado, fraudes ainda não contestadas entram como legítimas e o score parece pior do que é.
3. Não use só os casos que passaram por revisão manual. Este é o erro mais grave e o mais comum. Se você só tem desfecho para o que foi revisado, e a revisão foi escolhida pelo próprio score, a amostra está enviesada de um jeito que nenhuma estatística conserta. Use um recorte em que o desfecho aparece independentemente do score.
A Bancada exige 300 transações e 25 fraudes confirmadas. Repare que o que manda é o número de fraudes, não o total: com 50 mil transações e 12 fraudes, ela recusa. A fraude é o evento raro e é ele que governa a precisão da medida.
Na prática, com fraude a 1% você precisa de umas 3.000 transações para chegar às 25 fraudes — e de umas 10.000 para o resultado ficar confortável.
Exporte do Excel ou do Google Sheets como CSV. O arquivo deve ter uma linha de cabeçalho e uma linha por transação:
id;score;desfecho;valor;cliente TX-100234;812;1;1.299,00;C-4471 TX-100235;103;0;89,90;C-1120 TX-100236;540;0;350,00;C-4471 TX-100237;779;1;2.480,50;C-9007
| Coluna | Formato aceito |
|---|---|
| score | Qualquer escala numérica — 0 a 1, 0 a 100, 0 a 1000, não importa. Só precisa ser consistente, e maior tem que significar mais risco. Se no seu fornecedor maior significa mais seguro, inverta antes (por exemplo, 1000 − score). |
| desfecho | 1 ou 0. Também aceita sim/não, fraude/legítima, true/false, s/n. Fraude é sempre o 1. |
| valor | Reais. Aceita 1299.00 e 1.299,00. Cifrão e espaços são ignorados. |
| cliente | Qualquer identificador de texto. Pode ser um código anonimizado — o ZORMA só precisa saber quais linhas pertencem à mesma pessoa. |
Um mesmo cliente costuma aparecer várias vezes. Se o ZORMA não souber disso, ele pode acabar treinando com as compras de janeiro dele e testando com as de março — e vai parecer que acertou, quando na verdade já conhecia a pessoa. Com a coluna preenchida, cada cliente fica inteiro de um lado só, e o resultado é honesto.
Sem a coluna, a ferramenta funciona, mas a margem de erro sai otimista. O laudo registra isso.
Colunas extras não atrapalham — você escolhe na tela qual é qual. O ZORMA tenta adivinhar pelos nomes e você confere.
Em Origem, deixe Simulador. Escolha o cenário Fornecedor forte e clique em Carregar amostra e depois em Aferir. Você vê o laudo sendo emitido.
Depois repita com Fornecedor que só reflete o valor da compra. O score parece bom, e mesmo assim o ZORMA nega o laudo. Entender por que ela nega nesse caso é entender a ferramenta inteira.
Troque a origem para Arquivo CSV meu e selecione o arquivo. Aparece o mapeamento de colunas já preenchido por palpite. Confira os quatro campos.
Clique em Carregar amostra. Você vê quatro medidores: transações, fraudes confirmadas, taxa de fraude e exposição total. Se algum estiver em vermelho, resolva antes de seguir.
Três números da sua operação. Não invente — busque com quem opera.
Na primeira vez, não mexa. Rodada fica em 1ª e Papel em Exploração.
Se você rodar, não gostar do resultado, mudar alguma coisa e rodar de novo, aí sim mude para 2ª. Isso fica registrado no laudo. A partir da 4ª rodada na mesma amostra o laudo é negado automaticamente — porque quem ajusta até passar sempre acaba passando, e o resultado deixa de significar alguma coisa.
Leva de 5 a 60 segundos conforme o tamanho da amostra. O painel vai narrando cada etapa. Tudo acontece no seu aparelho — pode fechar a internet que continua funcionando.
A seção 05 é sobre o ZORMA. A 06 é sobre o seu score. A 07 é sobre dinheiro. Leia nessa ordem — se a 05 reprovou, o que está na 06 e na 07 é diagnóstico, não conclusão.
Baixar laudo técnico (.md) gera um documento completo com protocolo, método, todos os números, as premissas que você declarou e os limites da conclusão. É um arquivo de texto — abre em qualquer editor, cola em qualquer lugar.
O .json traz os números crus, para quem quiser reprocessar.
Aparece como AUROC, entre 0,50 e 1,00. Leia assim:
É isso, literalmente. 0,50 é cara ou coroa: o score não sabe de nada. 0,75 acerta três em quatro. 0,90 acerta nove em dez. 1,00 seria perfeito e não existe na vida real — se aparecer, desconfie de vazamento.
Referência prática para score antifraude: abaixo de 0,70 é fraco, de 0,70 a 0,80 é útil como sinal auxiliar, acima de 0,85 é bom.
Ao lado da separação aparece algo como [0,842, 0,916]. Isso é a margem de erro.
Se você medisse de novo com outro grupo de clientes, o número sairia um pouco diferente. O intervalo é a faixa onde o valor verdadeiro provavelmente está. Um intervalo largo significa que você não tem dado suficiente para afirmar muita coisa — e é por isso que o ZORMA às vezes recusa mesmo com um número aparentemente alto.
A Bancada faz esse embaralhamento 250 vezes, de verdade. Se a separação do seu score cabe dentro do que a sorte produz, não há sinal a discutir. Abaixo de 0,05 há sinal real. Acima disso, não.
Este é o teste que quase todo fornecedor reprova, e é o mais importante do laudo.
A Bancada monta um previsor bobo, de graça, usando só o que você já tem: o valor da compra e quantas vezes aquele cliente aparece. Depois acrescenta o score do fornecedor e mede o quanto ele melhorou.
A pergunta não é se o score é melhor que nada. É se ele é melhor que a regra que você poderia escrever em duas linhas sem pagar ninguém. O mínimo exigido é +0,03.
Score com separação de 0,70 — parece razoável. Mas o valor da compra sozinho já dá 0,70. Somar o score não muda nada. Conclusão: você está pagando por uma informação que já tinha. Esse é o cenário Fornecedor que só reflete o valor da compra no simulador, e vale a pena rodar para ver como aparece.
A Bancada divide a amostra em quatro faixas de ticket e mede cada uma separadamente. Um score que separa bem nas compras de R$ 50 e é cego nas de R$ 3.000 tem um número global bonito e é inútil — porque o prejuízo mora nas compras caras.
A diferença entre a melhor e a pior faixa não pode passar de 0,10.
O carimbo no alto da seção 06 traz uma destas frases. Cada uma tem um dono e uma ação diferente:
| Carimbo | O que aconteceu | O que fazer |
|---|---|---|
| Bancada aferida | Tudo passou. O laudo vale. | Ler o resultado e a conta de dinheiro. Usar na decisão. |
| Amostra insuficiente | Menos de 300 casos ou menos de 25 fraudes. | Buscar mais histórico. Não há ajuste de método que compense falta de evento. |
| Bancada sem poder | Passou no mínimo, mas a margem de erro ficou larga demais para separar um score bom de um ruim. | Também é falta de dado. Ampliar a amostra. Rodar de novo na mesma não muda nada. |
| Bancada descalibrada | Apontada para um alvo conhecido, ela errou a direção. | Conferir a coluna de cliente — agrupamento inconsistente é a causa mais comum. Não usar nenhum número desta rodada. |
| Vazamento detectado | Com rótulos embaralhados o score ainda separou. Não deveria separar nada. | Verificar se o score foi mesmo gravado no momento da compra e não recalculado depois com o desfecho na mão. |
| Sem sinal acima do acaso | A separação cabe dentro do que rótulos aleatórios produzem. | Achado sobre o fornecedor, não sobre a ferramenta. Levar o valor-p à renegociação. |
| Sem ganho sobre o trivial | O score funciona, mas não acrescenta nada ao que você já tinha de graça. | Também é achado sobre o fornecedor. É o argumento mais forte que existe numa renovação de contrato. |
| Desempenho instável | Separa bem em algumas faixas de valor e mal em outras. | Um número único não representa este score. Exigir desempenho por faixa, ou operar com corte diferente por faixa. |
Os três primeiros e o descalibrada são sobre a sua amostra. O vazamento é sobre a sua base. Os três últimos são sobre o seu fornecedor — e nesses casos o ZORMA está funcionando perfeitamente: ela nega o laudo porque o score não sustenta conclusão, e isso é o achado.
A seção 07 responde à pergunta que decide contrato: quanto isso vale por mês?
Existem três estratégias possíveis, e o ZORMA calcula o custo das três:
Ela testa todos os cortes possíveis, acha o mais barato, e mostra quanto a triagem economiza contra a melhor das duas alternativas simples. Se a triagem não ganhar de nenhuma das duas, o número sai negativo — e isso também é uma resposta.
| Linha | Como usar |
|---|---|
| Ponto de corte | O número que você configura no seu sistema. Acima dele, revisa. |
| Fila de revisão | Quantos casos por mês vão para o analista. Confira se a sua equipe dá conta — se não der, o corte ótimo não é aplicável e vale refazer com o volume que ela suporta. |
| Fraudes na fila | Quanto da fraude o corte captura. O resto passa. |
| Perda residual | O prejuízo que sobra depois de tudo. É o número que ninguém gosta de ver e todo mundo precisa ver. |
A conta é aritmeticamente correta mesmo quando o laudo é negado. Um score sem sinal nenhum ainda produz um número de economia com muitos zeros — no simulador, o cenário Fornecedor sem sinal real mostra mais de R$ 100 mil por mês, e não vale nada.
Só use o número da seção 07 se a seção 06 trouxer o carimbo verde. É exatamente esse tipo de número solto que um slide de fornecedor te mostra.
A Bancada mede na amostra e multiplica para o volume mensal. Isso assume que o mês se parece com a amostra. Se a sua amostra é de um período atípico — Black Friday, promoção grande, ataque concentrado — a projeção herda a distorção.
Em ordem de frequência com que aparecem:
| # | Erro | Consequência |
|---|---|---|
| 1 | Usar só transações que passaram por revisão manual | Viés de seleção. O ZORMA não detecta e o laudo sai válido e errado. É o erro mais perigoso da lista. |
| 2 | Score recalculado depois do desfecho | Vazamento. Normalmente o ZORMA acusa, mas nem sempre. |
| 3 | Incluir transações recentes, ainda sem janela de contestação vencida | Fraudes contam como legítimas. Subestima o fornecedor. |
| 4 | Score invertido — maior significa mais seguro | Separação abaixo de 0,50. Se aparecer algo como 0,25, é este o motivo. |
| 5 | Não preencher a coluna de cliente | Margem de erro otimista. Funciona, mas o laudo registra a ressalva. |
| 6 | Chutar a eficácia da revisão para cima | Economia projetada inflada. Fica declarado como premissa sua no laudo. |
| 7 | Rodar várias vezes ajustando até passar | A partir da 4ª rodada o laudo é negado automaticamente. |
Não. Tudo roda no navegador. Você pode desconectar da internet depois de abrir a página e a ferramenta continua funcionando — é a forma mais simples de conferir. Quem quiser evidência técnica pode abrir a aba de rede do navegador e observar que nenhuma requisição sai.
Funciona, mas amostras grandes ficam lentas. Para arquivos acima de 20 mil linhas, prefira computador.
Serve para qualquer score de risco com desfecho conhecido: análise de crédito, evasão, inadimplência, priorização de cobrança. Os nomes na tela falam de fraude, mas a matemática não sabe do que se trata. Só troque a leitura de "valor da transação" pelo que fizer sentido no seu caso.
Rode uma vez para cada, com a mesma amostra e as mesmas premissas de custo. Compare os laudos. Marque a segunda rodada como 2ª apenas se você mudou o método entre elas — trocar de fornecedor mantendo tudo igual não gasta rodada.
O laudo não responde isso sozinho. Um score de 0,68 que acrescenta +0,15 sobre o trivial e economiza R$ 200 mil por mês vale a pena. Um de 0,85 que não acrescenta nada, não. Leia sempre o ganho sobre o trivial junto com a conta de dinheiro.
Ele documenta método, premissas e limites de forma verificável, o que é mais do que a maioria dos materiais de fornecedor oferece. Mas não é certificação de nenhum órgão e não deve ser apresentado como tal.
Porque a maior parte das amostras reais não sustenta conclusão, e as ferramentas que concluem mesmo assim estão errando em silêncio. Cada recusa vem com o motivo e a ação — nenhuma delas te deixa sem saber o próximo passo.
| Termo | Em linguagem comum |
|---|---|
| AUROC / separação | Com que frequência o score dá nota maior para a fraude do que para a compra legítima, quando você sorteia uma de cada. 0,50 é sorte, 1,00 é perfeito. |
| Intervalo de confiança | A faixa onde o número verdadeiro provavelmente está. Quanto mais estreita, mais dado você tem. |
| Valor-p | A chance de o resultado ter saído por sorte. Abaixo de 0,05, não foi sorte. |
| Permutação | Embaralhar os rótulos de propósito para ver o que a sorte pura produz. Serve de régua. |
| Sinais triviais | O que você já sabe de graça: o valor da compra e quantas vezes o cliente aparece. |
| Ganho sobre o trivial | O quanto o score pago melhora o previsor de graça. Se for pouco, você está pagando por nada. |
| Vazamento | Quando informação do futuro entrou no score sem querer. Faz tudo parecer ótimo e nada ser verdade. |
| Controle positivo | Apontar o instrumento para algo cuja resposta já se conhece, para ver se ele acerta. |
| Poder | Se a amostra é grande o bastante para a medida decidir alguma coisa. |
| Ponto de corte | O valor de score a partir do qual você manda revisar. |
| Eficácia da revisão | De cada 100 fraudes que chegam ao analista, quantas ele barra. |